Depoimento
NAMÍBIA ???
Confesso que nunca tive uma atração tão forte pelo continente Africano a ponto de me fazer ir até lá. Ao receber o convite de meu amigo João Roberto para partir em uma nova aventura e conhecer a Namíbia, fiquei reticente. Afinal, existiam ainda outros lugares prioritários em minha lista de visitas e com certeza uma viajem à África ocupava uma das últimas posições. No primeiro convite feito, eu tinha uma expedição já planejada para a Chapada dos Guimarães e Pantanal e portanto, declinei do convite. Por motivos alheios à vontade do João, a viajem à África acabou não saindo e eu, retornei de meu passeio a tempo de receber a notícia e outro convite. A princípio recusei mas, visionário e persistente, João mandou-me o roteiro e o material visual da expedição. Ao ler e ver tudo que me foi enviado, começaram a se formar algumas gotas de saliva em minha boca. Ainda mais sabendo que seria uma expedição exploratória, que me garantiria uma boa dose de “volante” a bordo de lendários Land Rover Defender, altamente equipados para a empreitada, em regiões desconhecidas e inóspitas.
Deixando a curiosidade tomar conta de mim, convenci minha esposa e companheira de aventuras, Gláucia, e mais dois amigos, também com espírito aventureiro, Josué e André, a me acompanharem e embarcarem em mais uma nova experiência. Nos unimos em São Paulo a mais um grupo de aventureiros e partimos em direção ao nosso destino.
Minhas idéias preconcebidas sobre o que seria a Namíbia, começaram a cair por terra já na chegada em Windhoek, sua capital. Limpeza, organização, povo simpático e hospitaleiro. Pouco tempo ficamos na cidade e já no dia seguinte partimos para a mais deliciosa e surpreendente aventura. Já vi muitas paisagens e lugares deslumbrantes no nosso País e no exterior, mas o que encontramos na até então, completamente desconhecida Namíbia, foi algo de tirar o fôlego. E foi assim durante todos os dias! Cores contrastantes inimagináveis, que juntas numa paisagem nos fazem pensar o quanto esse nosso planeta esconde daquele que não ousa se aventurar por seus caminhos. Tons de terra, tons de vegetação, unindo-se em arranjos de verdes, amarelos, vermelhos, marrons e cinzas, misturados com o azul do céu, encantam e elevam o espírito, nos fazendo, a cada curva da estrada, agradecer a Deus por ter nos dado a chance de estarmos vivos, desfrutando de Sua obra.
A fauna da Namíbia é imponente! Ao cruzarmos as estradas e os parques, animais dos mais diversos nos lembram que somos nós os invasores. Rinocerontes, avestruzes, antílopes, gnus, elefantes, girafas e outras dezenas de aves e roedores. A África é deles, e pobre do arrogante humano que se acha dono do mundo... Na África, somos o que somos: pequenos! Tudo lá nos lembra disso. Dos grandes espaços vazios às montanhas mais altas; do rinoceronte, do elefante, ao simpático suricato; da árvore, ao arbusto, tudo nos remete àquela música que diz que tudo que somos é poeira ao vento.
O fato é que me apaixonei pela Namíbia, que a cada curva me mostrava outras nuances, outros aromas, outras surpresas. E, igual à amada, mostra-se, mas ao mesmo tempo esconde outros mistérios, com a promessa de que em algum momento eles serão revelados, fazendo com que busquemos ansiosamente descobri-los.
Tenho que agradecer ao amigo João pela sua persistência e pelo seu profissionalismo, que me fizeram descobrir um novo “mundo” e confirmar minha convicção de que mais que tudo na vida, o que vale é o que fica gravado em nossas retinas, em nossos corações e em nossas mentes. As fotos descolorem, perdem o brilho. As lembranças e a experiência ficam e enriquecem o viver e, como diz aquela propaganda de cerveja, deixam histórias de verão, que serão contadas aos meus netos. Yeah, yeah!
Marco Aurélio da Rocha Guimarães
03/2007